Mari Malta

Mari Malta
Jornalista, 25anos e Sagitariana

Renata Devecchi

Renata Devecchi
Jornalista, 35 anos e cúspide Aquário-Peixes.

Hortência Ferreira

Hortência Ferreira
Jornalista, 26 anos e capricorniana

Millena Susana

Millena Susana
Jornalista, 30 anos e taurina.

EXPECTATIVAS QUE FOGEM A REALIDADE

domingo, 13 de junho de 2010

Por Renata Devecchi

Escutei esta frase que me fez pensar...
Lembrei-me de uma história de encontros e desencontros (ah sim, claro! Os nomes foram trocados).

Numa bela noite, Luana reencontrou Leandro e este por sua vez não deu a menor atenção para Luana. Ainda assim, Luana passou quase sua noite inteira, esperançosa, a desejar Leandro. Eis que surge um desconhecido: Marcos. Ele percebeu Luana. Luana percebeu os olhares de Marcos, mas ainda assim ela desejava Leandro. Leandro não dando o mínimo que Luana precisava, partiu da festa e, claro, com o coração dela. Nem sequer se despediram. Luana ficou decepcionada, devido tamanha expectativa que criou em torno de uma situação que ela achou que pudesse acontecer. Vida que segue. Mas Marcos não desistiu, fez-se notar por Luana que àquela hora já havia entendido que Leandro não merecia o mínimo de sua atenção.


Good Luck, Música de Vanessa da Mata e Ben Harper

Ela então, totalmente decidida traçou nova diretriz e resolveu dar uma chance ao desconhecido. Foi até aquele bonito rapaz de olhar insistente e interrogou-lhe: - “Vem cá porque você não para de me olhar hein?”. Claro que ela já sabia a resposta. E bastaram algumas palavras, algumas danças envolventes com o desconhecido, para Luana rapidamente se encantar e perceber o quanto estava sendo boba em desperdiçar sua noite à espera de alguém que não vinha. De estranho, Marcos logo se tornou a criatura mais doce, atraente e sintonizada com o astral de Luana naquela noite. Naquele momento seus instintos haviam sido despertados, de uma forma inexplicável. Nada ouviam e viam, além do que eles falavam e faziam.

Luana e Marcos esqueceram das horas e o abraço ficou mais apertado. Eles não queriam parar aquilo que estava acontecendo. Queriam se ver novamente, se possível logo, no mesmo dia para dar continuidade àquele recíproco desejo que havia em seus beijos e abraços. Talvez a idéia inicial, nem fosse essa. Talvez eles nem imaginassem que aquele primeiro encontro seria tão bom assim...


Sim! Eles se viram novamente. Bem poucas vezes...


Com certeza muitas expectativas surgiram na cabeça dos dois em torno do “depois”, apesar de estarem cientes que “substâncias desinibidoras” percorriam seus sangues naquele primeiro encontro.


Mas o depois, tinha a obrigação de ser igual ou melhor que aquele primeiro encontro explosivo. Se não, isso poderia se tornar frustante.
O que sei é que Marcos e Luana se afastaram...


Não quero me dispersar do assunto (e nem devo) com detalhes desse enredo que mais parece capítulo de uma novela mexicana. Ok! Eu me entrego! Adoro essas historinhas românticas (mesmo as que não terminam com um “Happy End”) e talvez por isso eu tenha usado essa, para aplicar como exemplo no meu texto.


O foco aqui é a questão da expectativa.
Quase sempre criamos expectativas em cima de coisas, situações, pessoas. Normal, faz parte! É o que move nossa vida. Sem expectativas, nos tornamos apáticos. Expectativas geram certa tensão e dependendo do caso, muitas vezes nos tira da realidade. Porque enxergamos as coisas e as pessoas como queremos. Só que nem sempre as pessoas estão preparadas para se doar e nos doar aquilo que queremos e desejamos. E nem sempre as coisas são da maneira como as idealizamos.


Platão já dizia que o mundo real é uma imitação imperfeita do mundo das idéias, onde tudo é perfeito, bom. É daí que vem o termo “amor platônico”, em que a pessoa “ama”(ou se apaixona) pela idéia que faz da outra pessoa. E acho que Platão só chegou a essa conclusão, após ter tido alguma desilusão amorosa. (risos)


Nós somos os próprios responsáveis por essa idealização do outro (ou de uma situação) e geramos grandes expectativas em torno disso, sem sequer trabalhar as dificuldades, adversidades, os obstáculos que podemos encontrar em nosso caminho.


Luana não pode culpar Marcos pelo desligamento. Nem Marcos a Luana. Sim...eles criaram expectativas sobre o outro. Alguém ali sofreu. Talvez os dois. Talvez não na mesma intensidade e quantidade. Dar fim a algo também dói.


Se eles não eram o que eles queriam ou desejavam, ou nada aconteceu como eles esperavam que fosse acontecer, o outro não tinha a menor culpa.


Para evitar frustrações, não deveríamos achar que o outro tem a obrigação de corresponder as nossas - e muitas vezes, irreais e desleais - expectativas, porque isso provoca uma desconexão entre a fantasia e a realidade, podendo até gerar conflitos emocionais e dificuldades em lidar com a realidade. Afinal, não vivemos no mundo das idéias e sim no mundo real.


Sonhar, idealizar, se encher de esperanças, é preciso. O Poeta Vinícius já dizia “não há mal pior do que a descrença”. Mas tenhamos consciência que somos nós, os próprios responsáveis por tudo aquilo que deixamos acontecer em nossas vidas, porque muitas vezes esperamos demais das coisas e das pessoas.


Música Como já Dizia o Poeta, de Vinícios de Moraes, na voz de Maria Betânia.


A saída é dar-se um desconto entendendo que não somos seres perfeitos.
Acredito que Luana e Marcos, depois dessa, usarão isso a favor deles, trabalhando o que passaram (mesmo em tão pouco tempo), para não cometer deslizes parecidos pela vida.
E é isso, vida que segue para os dois e que sejam felizes, cada qual em seu caminho!


BEIJO ME BLOGA

Navegantes da rede: novas tecnologias e outras “coisitas” legais

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Por Mariana Malta

Essas semanas voaram! Pelo visto, estamos a todo vapor trabalhando e ocupados com a rotina acelerada dos nossos dias. Porém, nós sempre recebemos aqueles e-mails com novidades da rede, algumas piadas, correntes ou um blog interessante para respirar aliviados, com doses de boas gargalhadas, no meio de um dia de trabalho.

Então, resolvi reunir algumas “coisitas” que recebi nesse mês de abril e trazer para vocês. Tem dicas sobre diversos assuntos e curiosidades da rede! Divirtam-se!

Até de mau humor, a música pode mexer com você!
Stereomood é um site que disponibiliza uma playlist que toca conforme seu humor, ou seja, você pode estar estressado, feliz, romântico, triste, ou apenas acabado de acordar; nesse site sempre terá um som de acordo com seu estado de espírito. É bem legal! Acesse e divirta-se!
URL: http://stereomood.com/

Para quem curte radicalidade e fotografia ou para quem só é curioso mesmo!
Se você gosta de esportes radicais, em especial manobras iradas de skate, esse site é para você! Nele, você pode interagir com vídeos alucinantes do esporte e jogar o game como se fosse um fotógrafo profissional. O jogo varia o grau de dificuldade e de recursos fotográficos, existe uma lojinha virtual para a compra de equipamentos e a qualidade visual do site é de se admirar! Vale conferir e se arriscar em alguns clicks!
URL: http://www.momentgame.com/

Discutir relação não é só motivo de estresse, mas também de boas gargalhadas!
Quem já não ficou com trauma da popular sigla “DR”? Dizem que as mulheres gostam de discutir relação sempre, mas isso é mentira. Até para as mulheres, ter “DR” é uma tortura! Uma amiga e blogueira, Amanda Henriques, desenvolveu um cantinho muito legal para tratar do assunto. Mas calma! Não são textos enormes, analisando o assunto não! São quadrinhos divertidíssimos, com histórias daquelas que todos vivemos. Ela trabalha com muito bom humor esse universo distinto do Homem e da Mulher! Veja abaixo uma amostra grátis e acesse o blog dela para cair mais na gargalhada, pois a vida vale a pena! URL: http://www.drquadrinhos.blogspot.com/

OBS: Nesse mesmo sentido, visite também Os irmãos Brain, as aventuras de Id, Ego e Superego pelo grande universo imaginário das tirinhas de Geraldo Neto. Acesse: www.irmaosbrain.com/


Vídeos da semana:

Prodígios da dança!
Fazer o que essas meninas fazem, são para poucos. Quem já dançou sabe, tem muita gente grande que não consegue!







A dor de um amor nasce na infância!
Recebi esse vídeo e fiquei com o coração partido com a menininha! Mas o amor dói! A separação dói! Tem que aprender desde cedo!





Outro dia conheci Luana

sábado, 24 de abril de 2010

Por Mariana Malta

Mais um dia normal na cidade grande, pessoas acordam cedo e seguem para o trabalho. Trânsito, muito trânsito, reflexo ainda das chuvas que aterrorizaram o Rio de Janeiro e seguiram rumo ao nordeste. Meninos de rua fazem malabares no sinal por conta de alguns trocados. Trajetos como Alto da Boa Vista e Grajaú-Jacarepaguá foram reabertos e a força da natureza sentida diante dos rastros deixados após a tragédia.
Esse foi o cotidiano da cidade nessas últimas semanas, além da greve dos rodoviários e alguns outros probleminhas, a labuta diária voltou ao normal. O carioca ainda se solidariza aos desabrigados e campanhas de arrecadação tomam conta do espírito cidadão.

Depois de tantas situações dramáticas, um chopp após o trabalho sempre cai bem, ainda mais para reunir bons amigos de faculdade. Lá fui eu, em plena quarta-feira, me refrescar diante do calor que já voltou a marcar presença no Rio de Janeiro. Ah! Nesse encontro, outras blogueiras, que aqui vos falam, também compareceram.

Esses momentos que sempre combinamos e dificilmente realizamos nunca acabam cedo! Mas uma boa conversa, chopp gelado e amigos à mesa pedem que nós ultrapassemos um pouquinho da hora.
Uns chegam e outros vão. No final, eu e Hortênsia fechamos a conta com mais um amigo, lá por volta de 01h da manhã. Afinal, o dia seguinte era “de branco”. No caminho até o táxi, eu conheci Luana, uma jovem mulher com uns 20 e poucos anos, negra, bonita, inteligente e moradora de rua.

Ela parecia falar sozinha em quanto passávamos, mas não, ela falava conosco a certa distância. Acredito que fosse para não nos assustar. Ela queria ajuda, dinheiro, um trocado. Um gesto comum na realidade carioca. Naqueles poucos segundos, eu e Hortênsia caminhávamos devagar, mas sem intenção de revirar nossos trocados. É... As palavras têm poder! O argumento de Luana era inteligente, bem articulado, rodeado por uma cultura pobre, mas perspicaz. Acho que a experiência nas ruas e sua própria inteligência fizeram diferença para aquela moça aprender a se virar.

Uma frase me chamou atenção e fez com que eu e Hortênsia parássemos na hora. Ela disse algo como “Tudo bem, eu estou acostumada em ter a sociedade me ignorando”. Em outro momento da vida, diante de um documentário sobre menores infratores, ouvi o relato de uma psicóloga sobre essa questão do morador de rua ser ignorado pela sociedade. Ele é considerado como um fardo que a cidade carrega e não um ser humano que precisa de assistência. Ali, Luana me ganhou!

Foram 40 minutos de conversa, momentos de troca de experiência, atenção e carinho. Luana é dependente química, pesa 47kg, fuma crack, já tentou reabilitação nos centros de apoio da Prefeitura, mas não deu certo. Quando mais nova, ela teve que se prostituir para comer e atender ao vício. Hoje, aprendeu que isso não resolve nada. Arrumou um companheiro e desde então tenta vender uns colares artesanais pelas ruas. Ela tem um filho, que é criado por uma antiga vizinha. Cresceu em uma família conturbada e foi parar nas ruas muito cedo, mas estudou até a sétima série.

Eu não estou aqui para julgar Luana e, infelizmente, nem para mudar sua história de vida. Mas estou aqui para dizer que eu a conheci! Ela existe, pensa, aprende, sente, sofre, ri e fica doidona. Ela é gente! E mora ali, entre a Avenida Maracanã e a Praça Saens Penã.

Natiruts - Deixa o menino Jogar - Boa música, boa mensagem...

Luana é muito inteligente, pena que a vida lhe deu poucas chances ou ela seguiu caminhos errados. Tentamos ajudá-la, com o mínimo, já que suas necessidades emergenciais eram tão poucas: alguma comida, calcinhas, roupa, shampoo, creme, sabonete, desodorante, escova e pasta de dente.

No dia seguinte, o combinado era que nós iríamos levar essas coisas para ela, às 22h, no mesmo local em que conversávamos. Em outras experiências de solidariedade e trabalho voluntário, eu já tinha aprendido que nunca podemos cobrar daquele que ajudamos um retorno ou dedicação, afinal, se ele estivesse bem, talvez não precisasse dessa mão amiga. Por outro lado, quando nós prometemos fazer algo, devemos cumprir. Afinal, essa nossa atitude pode ser a única coisa que ainda mantém a esperança de alguém.

Eu sabia que Luana podia não aparecer... Sabia que ela podia ter esquecido, não ter levado a sério o papo das patricinhas, ter perdido a hora, estar usando crack ou ter ido ao nosso encontro atrasada. Mas nós fomos e esperamos, chegamos mais cedo e ficamos até 22:30h. Ela não foi! Lamentei, pois queria muito ajudá-la, assim como ela me ajudou!

É... Ela me ajudou! Eu reforcei no meu coração a vontade de ir além, de fazer mais pelas pessoas. Se alguém tivesse ajudado aquela moça quando ainda era uma menina, essa história podia ter tido outro final. Se aproximar de outras realidades, trocar olhares, compaixão, risadas, atenção com outras pessoas é a melhor forma de crescer e viver esse mundo. Nisso, a Luana me ajudou, e assim como ela, existem milhões de pessoas espalhadas por aí. São mil possibilidades de fazer a diferença e aprender a viver melhor nesse planeta.

Nosso esforço não foi em vão, antes de ir embora, eu me lembrei do “tio”, um senhor que cuida dos carros na Rua Jaceguai. Meio franzino, humilde, mas com um coração enorme e alegria de viver. Meu amigo! Já até me livrou de um assalto, sempre vigilante. Foi para ele que foram as coisas que daríamos para Luana. Como sempre, ele muito me agradeceu! Nós nos despedimos e fomos para casa. Ele continuou lá, acredito que por toda noite.

Depois dessa breve aventura cotidiana, segui meus dias normalmente. Eu já queria escrever uma matéria sobre esse episódio, mas acho que a falta de tempo me fez esperar. Foi bom, pois ontem assisti a um filme que tinha tudo a ver com essa questão, o Solista.

Ele já havia chamado minha atenção nos cinemas, mas perdi a temporada em cartaz e tive que esperar o lançamento em DVD. A história trata sobre a relação de Steve Lopez (Robert Downey Jr.), um famoso colunista do Los Angeles Times, e Nathaniel Ayres (Jamie Foxx), um sem teto, ex-músico apaixonado por Beethoven e que sofre de esquizofrenia. A trama fala sobre a amizade, sobre a vontade e a limitação de se ajudar alguém. Às vezes, a única ajuda que um ser humano precisa é o apoio e atenção de um bom amigo. O filme foi baseado em fatos reais.

Fica aqui a dica de um bom filme, que me lembrar e nunca esquecer... Outro dia eu conheci Luana!

Beijo & Me Bloga
Trailer do filme O Solista

ABRIL, A TORNEIRA!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Por Renata Devecchi


O dilúvio que caiu torrencialmente no Rio de Janeiro, nos dias 05 e 06 de abril, provocou grandes estragos. Inclusive a morte de mais de duzentas pessoas. Isso sem contar os que ainda encontram-se soterrados embaixo de muita terra e escombros.

De quem é a culpa de todo esse caos feito pela chuva? De Deus é que não é. Evidente que é do próprio ser humano!

O Ser Humano-Cidadão mal educado que joga lixo na rua, nos rios... Mesmo que seja uma guimba de cigarro ou um papel de bala ou palito de sorvete, isso faz diferença.

O Ser Humano-Governante/Administrador/Autoridade, que mantém desculpas esfarrapadas há décadas, que fica dando nota abaixo de zero para a cidade, mas que ganha para trabalhar por uma bela nota. “Seres” esses, que permitem milhares de construções irregulares em áreas de risco e a uma favelização desenfreada.

O Ser Humano-Agressor do meio ambiente, que desestabiliza o clima com todas suas ações e que aos poucos recebe a resposta da natureza, mostrando ao homem, que “aqui se faz, aqui se paga”. Não é à toa: quando esquenta, muito quente; quando esfria, muita enchente.

O Ser Humano-Impotente, que enxerga todos os problemas, mas se faz de míope e vive dando votos mal-dados, não procura saber do passado de cada político que se candidata e que não faz valer seus direitos, não cobra resultados.

Todos nós (talvez, com raríssimas exceções) temos nossa parcela de culpa para todo esse caos. O poder público mais ainda. E acho que o ser humano pode ser treinado, o discurso pode mudar, campanhas de conscientizações permanentes podem acontecer. O que não pode é haver descaso, por parte dos governantes e da população.

Já ouvi falar em grandes temporais que marcaram a história do povo carioca, como os que aconteceram em 1966 (eu não estava aqui para conferir, mas minha casa encheu de entrar água pela janela), 1988 e 1996. Lembro-me muito bem da tragédia de 1988. Era o dia 19 de fevereiro e eu completava 13 anos. Em casa, eu e minhas irmãs esperávamos ansiosamente minha mãe chegar do trabalho, para a comemoração que iria ser no Mc Donald’s. Só que São Pedro resolveu enviar uma chuva forte às 17h da tarde. Ninguém entrava e ninguém saía dos lugares. Só entrava água. A cidade alagou. Minha rua transbordou.
A água foi tomando conta da minha vila e em poucos minutos, a minha casa. Pânico e tensão! Fomos salvas pelo vizinho que por possuir uma casa de dois andares nos acolheu até a água abaixar, minha mãe chegar e então começar a verdadeira festa com direito a “dança da vassoura”!

Montagem retirada da internet, rede sociais Orkut.

Varamos a noite e madrugada lavando a casa, jogando fora o que não mais prestava, esfregando e encerando o chão, e todo aquele serviço doméstico “gostoso” que eu nasci desprovida de tal dom.

Após essa enchente, colocamos em prática um plano: fizemos uma rampa de quase 2 metros de altura e depois disso nunca mais tivemos problemas com enchentes. Nem a de 1996 afetou nossas casas. A água passou batida pela nossa rua. Foi a nossa maneira prática de livrarmos de um problema, mas em compensação, houve muito estrago na cidade.

De lá pra cá vivi momentos de engarrafamentos homéricos em dias de chuva, no final do dia, horário que ela sempre prefere cair. Mas nada foi pior do que passei nesta Segunda-feira (05/04/10): vi uma Lapa inundada de água e com milhares de sacos de lixo boiando porque a chuva caiu no instante em que passariam os caminhões da coleta.

Policiamento? Zero nas ruas. Ouvi boatos de assaltos e arrastões pela cidade. Vi a chuva indo e voltando e nada da água escoar. E depois do sufoco para chegar em casa, após 6 horas de trânsito, dormi, acordei, liguei a TV e achei que estava tendo um pesadelo. Mas era realidade. Os engarrafamentos continuaram até de manhã. Deslizamentos generalizados por toda a cidade. Encostas despencaram. A água não escoou. A maré subiu. Vias importantes da cidade interditadas. Mortes. Desaparecidos. Caos total! Tristeza, muita tristeza e choro!

Passei a Quarta-feira (06/04/10), dia praticamente perdido de trabalho, assistindo com tristeza o noticiário na TV e li a quase todas as informações do Twitter, em especial ao Lei Seca, que esteve de parabéns com suas informações.

Percebi então que o que eu havia passado no dia anterior, tinha sido muito pequeno perto do que milhares de pessoas estavam passando.

A semana foi tão intensa e a força da natureza se mostrou presente por todos esses dias, que cenas inéditas foram testemunhadas por nosso povo, como ondas gigantes na Baía de Guanabara. Confira abaixo uma reportagem com surfistas brasileiros de ondas grandes, que se lançaram ao mar e enfrentaram netuno nesse período!





Não preciso mais continuar, todos sabem, todos leram, todos viram e ainda acompanham... Mas todos também sabem que o futuro está chegando e ele É AGORA em outubro de 2010.

Vamos tentar acordar e nos livrar desse pesadelo o mais rápido possível!

E enquanto isso... Vamos ajudar a cidade do Rio e de Niterói.

Beijo & me bloga!

Diante do CAOS - VAMOS FAZER ALGO!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Por Mariana Malta
Essa semana o Rio está de luto, em apenas dois dias, devido as chuvas e a falta de estrutura da cidade ficamos diante de tristes cenas de famílias destruídas, lágrimas que não param e um povo que tentar se unir para superar essa desgraça que abalou a comunidade carioca.
Já são 102 mortos, números que farão parte de uma estatística nos próximos anos. Mas quem sobreviveu para contar a história vai sempre lembrar com pessar esses primeiros dias de abril!
Diante do caos, também vi nossa gente se comover e ser solidário com o próximo, mesmo que precisasse se arriscar para salvar alguém. Pensei nisso, pois queria fazer algo! Uma amiga, a Juliana, que tb "blogueia" nessa rede no http://www.coisasdavidaju.blogspot.com/, divulgou os endereços da guarda municipal que estão aceitando donativos para os desabrigados! Então, estou replicando aqui e convocando a todos a ajudar... Um pouco nessa hora é muito! Vamos lutar juntos!
É isso! Beijo & Me Bloga!
Como ajudar?

Fonte Jornal O Dia: A prefeitura do Rio já organizou um mutirão para arrecadar donativos para auxiliar os cerca de 200 desabrigados após as fortes chuvas que atingiram a cidade do Rio de Janeiro desde às 17h30 desta segunda-feira. A intenção é arrecadar colchonetes, alimentos não-perecíveis, água, além de roupas para serem doados aos necessitados. Ao todo, dez unidades da Guarda Municipal receberão os donativos.

Confira abaixo o endereços dos postos:

- Centro: no Centro Administrativo São Sebastião (sede da Prefeitura - Rua Afonso Cavalcanti, 455, Cidade Nova)

- São Cristóvão: na sede da Guarda (Avenida Pedro II, nº 111)

- Botafogo: na base operacional da GM-Rio (Rua Bambina, nº 37)

- Barra da Tijuca: na 4ª Inspetoria (Avenida Ayrton Senna, nº 2001)

- Madureira: na 6a Inspetoria (Rua Armando Cruz, s/nº)

- Praça Seca: na 7ª Inspetoria (Praça Barão da Taquara, nº 9)

- Lagoa: 2ª Inspetoria (Rua Professor Abelardo Lobo s/nº - embaixo do viaduto Saint Hilaire, na saída do Túnel Rebouças)

- Bangu: na 5ª Inspetoria (Rua Biarritz, s/n)

- Tijuca: na 8ª Inspetoria (Rua Conde de Bonfim, nº 267)

- Campo Grande: na 13ª Inspetoria (Rua Minas de Prata, nº 200)

Vamos Fugir

terça-feira, 6 de abril de 2010

Por Mariana Malta

Nesse feriado de Páscoa eu queria fugir, sumir, arrumar as malas e colocar o pé na estrada. Deixar para trás os problemas, pessoais e do mundo, viver uma aventura, respirar um novo ar e me jogar na vida sem rumo.

Bom, assim eu fiz! Mas eu tinha rumo: FLORIANÓPOLIS (Para os íntimos “Floripa”)! Essa é a terra dos manezinhos da ilha; gente educada, alegre e calorosa. Acho até que esse povo carrega semelhanças com o carioca. Já tinha visitado a região, mas só de passagem, pois na verdade, em outros carnavais, meu rumo tinha sido Garopaba e arredores (Quase o mesmo que nossa Região dos Lagos).
Floripa é uma ilha ligada ao continente, em Santa Catarina, na região sul do País. A cidade tem uma diversidade natural e paisagens inesquecíveis, com 42 praias, dunas, reservas ambientais, montanhas e etc.; tudo ao redor do centro urbano. A Lagoa da Conceição é um ponto mágico da cidade, que mantém viva a cultura local e a tradição do povo. Existem várias possibilidades de lazer, prática de esportes, bares e restaurantes. A noite de lá é bem variada e atende a todas as tribos.

Praia Mole - SC / Foto: www.guiafloripa.com.br

Uma amiga veio com a proposta dessa viagem umas semanas antes do feriado. No início, resisti devido à grana, tempo, problemas e a distância. Mas aquela terrinha sempre morou no meu coração, desde a primeira vez que pisei na cidade, logo, já estava aflita para viajar.

Daí, começamos os preparativos... Grana curta, então, nós abrimos a temporada de caça aos preços baixos: pousada, aluguel de carro, passagens aéreas, aluguel de pranchas, comida, noitada, passeios, etc. Tudo na ponta do lápis para partir rumo à ilha da magia.

Levamos na bagagem toda alegria carioca e a vontade incontrolável de dar um tempo desse cotidiano compulsivo, violento, obsessivo e acelerado. O Rio é e sempre será a cidade maravilhosa, a minha raiz, e o melhor lugar do planeta para ter nascido, afinal, essa é a minha terra. Mas eu confesso... Estar em Florianópolis fez a minha alma encontrar um estado de paz, harmonia e felicidade.
Foram dois dias incríveis, ao lado de amigos queridos e manezinhos da ilha, aproveitando praia, surfando na Mole, experimentando o sandboard e me estabacando nas dunas da Joaquina. Curtindo um forró, um xote colado e uma noitada no Bali Hai, em Garopaba. Almoçando em restaurantes familiares, mas com uma comida caseira de tirar o fôlego. É uma pena que foram só dois dias, bem aproveitados, mas apenas dois... Queria multiplicar esses dias por 10 e conhecer as outras 40 praias que não conheci.

Fim de tarde na Praia da Joaquina / Foto: Mari Malta

Lembrança boa e engraçada é o modo de falar dos manezinhos, gírias e ritmo próprios, difícil de entender, mas gostoso de assimilar. Até nisso lembra o Rio! Estava em casa, gastando pouco (Até pensei que estava rica!) e com um sorriso que não cabia no rosto!

O mais incrível foi viver aquela cultura, onde os bons modos e a gentileza são visíveis. Foi gostoso ver a cidade limpa, sem pichações, e livre de cenas como crianças abandonadas, população de rua, e uso de drogas em cada esquina a exemplo dos grandes centros urbanos, como Rio e São Paulo.

É lógico que “Floripa” tem seus problemas sociais, índice de violência e não tem a mesma proporção de cidades como o Rio e São Paulo. Mas foi tão bom estar em um lugar que se anda tranqüilo na rua, sem medo de assaltos, bala perdida, guerra do tráfico, e tragédias diárias. Fugir, fugir e fugir... Era isso que eu estava precisando para recuperar a energia e voltar para o batente, a labuta diária, e a luta por sobrevivência em uma das melhores cidades do mundo, porém, recheada de problemas difíceis de resolver: o meu RIO DE JANEIRO!

Saí da ilha da magia com a impressão de que lá encontrei o Rio de antigamente (do tempo dos meus avós), mais calmo, cordial e em paz. Conheci um povo animado, alegre, aberto e que ama a sua tradição, mas leva um toque carioca na essência, admira e gosta da nossa cultura e, principalmente, da nossa gente.

Queria que o Rio voltasse a viver esses valores, parasse um instante e respirasse as coisas boas da vida. Diminuísse o ritmo egoísta e acelerado da realidade urbana e louca. Queria que o motorista de ônibus cedesse passagem a outro veículo, ou que carros parassem para o pedestre atravessar a rua. Mas ao contrário, com base nesse exemplo de gentileza que vi em Floripa, outro dia, minha mãe chegou em casa com o relato de uma cena absurda.

Uma pessoa com deficiência física queria subir em um ônibus adaptado, o motorista sugeriu que ele esperasse o próximo que viria mais vazio, embora este ônibus não estivesse cheio. O rapaz insistiu e disse que queria embarcar. O motorista falou para ele entrar pela porta traseira. Final da história... O “gentil” motorista arrancou com o ônibus, não só deixando o cidadão sem o serviço de transporte público, como colocando a vida dele em risco, por pura falta de compreensão, paciência, solidariedade e por egoísmo.

Esse é um Rio de Janeiro que eu NÃO quero viver, cidade desespero, em que o medo, a violência, o egoísmo e o ritmo diário transformam valores sociais e acostumam a nossa sociedade a se comportar de maneira leviana e infeliz. Já não basta o caos vivido com a falta de estrutura, chuvas intensas e enchentes devastadoras. O povo tem que se unir, reagir, cobrar, lutar e ser solidário, pois a vida já é dura demais e as tragédias já descolorem a nossa alegria de viver.

Por isso, às vezes é bom fugir, sumir, respirar! Tentar apagar cenas cotidianas que sugam nossas forças, afinal, nós ainda somos humanos! Desde que voltei, assisti aos jornais, chorei novamente com cenas sobre a morte do menino Diego Frazão, músico da Orquestra de Cordas do AfroReggae; mais um retrato da nossa realidade. É claro que não mandamos no destino, mas a negligência de hospitais públicos e o descaso com a vida humana é um fator contribuinte para finais assim. Esse foi mais um fim triste de uma história de vida tão bonita, exemplo de superação e esperança!


Também vi através da madrugada a chuva alcançar quase 16 horas de duração, enchentes impedirem as pessoas de voltarem para casa e, ainda agora de manhã, retornarem para o trabalho. Cenas como um senhor com mais de 60 anos, que teve um ferimento grave na perna após cair em um bueiro sem tampa, e continuava a perambular pela cidade em busca de um pouso seguro e tratamento. Os jornais reforçam a recomendação da defesa civil e o próprio alerta do prefeito da cidade, Eduardo Paes, para as pessoas não saírem de casa. A situação é grave, as principais vias da cidade estão alagadas, muitos pontos com deslizamentos e vítimas fatais.
Não quero um Rio mais assim!






GENTILEZA GERA GENTILEZA, já dizia o nosso poeta! Então, vamos praticar... Levante e Lute! Não quero mais precisar fugir!
Beijo & Me Bloga!

NR n°1: Aproveito para agradecer aos amigos queridos lá de Floripa, que me fizeram rir com sua hospitalidade e o jeitinho de manezinho da ilha! Pessoas queridas que sempre serão lembradas no coração!
NR n° 2: Vídeos retirados do site www.G1.com.br

O Rio de Janeiro, continua no APAGÃO

Por Hortênsia Ferreira
O Rio de Janeiro continua lindo. O Rio de Janeiro continua sendo. O Rio de Janeiro, fevereiro e março. Que nossa cidade é maravilhosa e admirada, isso ninguém tem dúvidas. Mas que a falta de estrutura na cidade está gritante, isso alguns escondem ou não querem saber. A cidade maravilhosa fica as escuras diariamente em vários bairros. É uma pena estar no século XXI, na cidade mais desejada e ver tantos problemas.

Há alguns dias atrás passei por uma situação de descaso, no meu bairro. A Rua Soares da Costa, localizada na Praça Saens Peña, bairro da Tijuca, foi cenário desse descaso com a falta de luz. Era domingo início da noite, dia 14 de março, e exatamente às 18h40 a luz apagou. Pensei : - Ah! Daqui a pouco volta. E continuei em casa numa boa, dormi, acordei e no dia seguinte e nada da luz.

A revolta se estabeleceu em mim, resolvi ligar para light. “Tuuu Tuuu”, linha ocupada. Pensando cá com meus botões depois de um bom tempo, o telefone ainda ocupado, porque no dia anterior também liguei, percebi que estaria diante do jogo de empurra empurra. Afinal, uma linha não fica ocupada o tempo todo. Fora do gancho, PUTZ ENROLAÇÃO!!!!!!! Alooooooo, light, Alooooooo light!

Corri atrás de mais informações, liguei para meus contatos, rádio e jornais. E por fim, dei uma entrevista para o site, do Sidney Rezende. Confiram AQUI a reportagem!

Que falta de vergonha de nossas autoridades e prestadores de serviços básicos, 43 horas sem luz. Estamos na cidade Maravilhosa... Relembrando, nós sediaremos as Olimpíadas e Copa do Mundo. Soluções imediatas é o que pedimos o tempo todo. Não está sendo muito fácil ser carioca com tantos problemas diários. Ah... será que vão “apagar” a Copa??? Passar por uma vergonha mundial, não seria nada bonito, hein! Uma solução agora pegaria menos mal, ao invés de esperar por 2014. Não queremos melhorias futuras e esperar por eventos para se resolver todos os problemas da cidade. Queremos soluções JÁ !!!!!!

Afinal, mais uma vez o Rio está embaixo d’água nessa manhã e muitos lugares estão sem luz desde ontem!



Beijo & Me Bloga

EU SOBREVIVI O VERÃO DE 2010

domingo, 28 de março de 2010

Por Renata Devecchi

O verão é aquela estação gostosa, tão esperada por todos e que vem acompanhado desde a década de 30 com seu famoso horário de verão, tão odiado por uns e, no entanto, amados por outros, em que ao sairmos do trabalho nos deparamos com aquele aconchegante sol. E aí para pintar convites para tomar “uma” no bar ou dar um mergulho no mar, não falta muito.

Pois bem, esse verão tudo que eu mais desejei era simplesmente não ter visto tanto a “cara” do sol e esperei ansiosamente que desse logo a hora do nosso “Astro-Rei”, se pôr. Tudo pelo delicioso fresquinho do cair da noite.

Só que a noite caía e onde havia parado o fresquinho?

Tive a ligeira sensação que ele se embrenhou com algumas nuvens e foi passear por mares distantes.

Tenho um amigo querido, que está morando há pouco tempo em Nova Iorque (EUA), e um dia desses, ele escreveu no Orkut que havia sobrevivido ao inverno rigoroso de lá e que esse ano havia ocorrido as maiores nevascas dos últimos 90 anos. Pois bem, eu também sobrevivi. Só que ao caldeirão... Ops! Quer dizer, ao verão carioca. Quase derretendo, mas sobrevivi.

O que foi ficar 20 dias seguidos sem uma gota de chuva? O que foi ter dias que a sensação térmica chegou a mais de 50º?

Fala-se muito, que antes desse verão, o mais quente havia sido em 1984. Não sei. Nessa época, minha única diversão era ir pra escola, tomar banho de piscina no quintal e brincar na rua. Franziu a testa por quê? Sim, crianças brincavam na rua e tranquilamente. Mas isso é pauta para outra matéria. Voltando ao assunto verão, em 1984, não tive os momentos escaldantes de estar na rua às 8h da manhã e o sol já parecer o de meio-dia; e nem muito menos ir dormir às 22h com temperatura a quase 30º.

Juro que se eu pudesse, se meu dinheiro desse, nesse verão de 2010, eu trocaria uns 3 dos meus dias mais quentes do Rio pelos do inverno de nevasca em Nova Iorque. Mas como eu não podia... Tinha que me contentar com o caldeirão que aqui fazia.

Durante os dias da nossa estação tenho certeza que quem saiu lucrando foram lojas de eletrodomésticos, em que as vendas de ar-condicionado, cresceram 100%. A própria a OAB-RJ liberou até o fim do verão, o uso facultativo do terno e gravata, para os advogados, em dias de muito calor. Já no futebol, a Justiça do Trabalho decidiu que o Campeonato Carioca teria seus jogos proibidos entre 10h e 17h, por causa do sol muito forte.

Durante a noite, ir a praia tornou-se um hábito refrescante, em especial o Posto 7, no Arpoador, que virou o point noturno desse verão. Isso sem falar, nos bares da cidade que devem ter superfaturado. A Lapa que já não dorme de segunda a segunda, viveu seu verão da boemia abarrotado de gente. Todo dia, era dia. Toda hora, era hora. Para os Tijucanos, a Praça Vanhargem, com seu notável Pólo Gastronômico, viveu dias de glória.

O Baixo Gávea não teve só sua Segunda sem Lei, mas a Terça, a Quarta, a Quinta...Todo dia era sem lei. Afinal, além de ser época de férias, era verão e estava quente demais. Foi quente. Foi bom. Mas também foi esquisito. Adoro um sol, mas calor demais, abafamento demais, incomoda demais. Dá uma sensação que vamos fritar a qualquer instante.
Zona Sul do Rio de Janeiro /Foto: Minduim

O Outono chegou e com ele estamos percebendo seus dias quentes e pelo visto a temperatura ficará acima da média prevista para a estação, ou seja, será um outono com a cara do verão de antigamente.

Concluo que, para quem conseguiu sobreviver o verão de 2010, o outono vai ser molezinha! Que venha então!

Ah e não se esqueça, use filtro solar!

Beijo e Me Bloga!

A DOR AMADURECE

Por Mariana Malta

Hoje, vou começar esse blog diferente, sem fotos ou vídeos. Hoje vou falar sobre o lado bom da dor... Ah! E sobre amor...

Confesso que não sei por onde começar, mas vou tentar dividir com vocês um pouco sobre uma coisa que aprendi: a dor amadurece!

Há algum tempo, quando andava confusa e perdida sobre meu futuro, principalmente em relação à carreira que escolhi, tive a chance de sair um pouco da realidade acelerada em que todos vivem. Esgotada em um estágio de jornalismo e com vontade latente de querer mudar o mundo, fui buscar uma nova oportunidade na profissão. Recebi duas propostas, uma, talvez fosse a chance de entrar na área exata que queria em comunicação, a outra, a oportunidade de viver uma situação inusitada e que sem saber meu coração clamava.

Bem antes disso, não sabia ao certo o que fazer da vida, sempre tive muitas aptidões, mas tinha uma certeza; nunca iria seguir a área da saúde, pois não tinha estômago para ser médica, enfermeira, ou algo do tipo.

Acabei escolhendo a minha segunda oportunidade naquele ano de 2008 e fui estagiar na Casa Ronald Mc Donald, através da indicação de uma vizinha querida, que era voluntária há muitos anos. A instituição ajudava crianças e jovens com câncer.

Tive receio, mas me vi diante de uma questão interior, que falava mais alto que tudo. Lá aprendi muitas coisas... Aprendi que um “cotoco de gente” era mais forte do que eu! Aprendi a parar de reclamar! Aprendi sobre amor de mãe e pai, irmãos, amigos, e de estranhos, que de forma única doavam todos os dias seu coração para o próximo.

Ouvi histórias, muitas histórias! Sobre uma realidade que eu não sabia que existia. Conheci mulheres que largaram emprego, família e outros filhos, para se dedicarem a somente um. Sofri com perdas, sorri ao ver uma criança se recuperar, fui ouvidos, tentei dar meu coração e apoio. Cresci. Me desgastei... Mas sempre tinha certeza que estava no lugar certo.

Aprendi que a área de saúde não era tão assustadora e que estar ao lado de quem precisa, sente dor, física ou na alma, era minha missão. Aprendi a viver a morte e a amar a vida. Meu estágio acabou e eu acabei voltando a trabalhar no meu antigo emprego diante de uma boa proposta. Mas nunca deixei a Casa Ronald... Fui voluntária até o final daquele ano, depois tirei licença, pois percebi que precisava cuidar de mim. Mas nunca deixei aquela casa!

Passei 2009 vivendo de freelancer, artesanatos e aprendendo coisas valiosas com as pessoas que amo. Namorei, surfei, resgatei a capoeira, sonhei, ajudei. É continuei ajudar, pois percebi que não é só quem está doente que precisa de ajuda, todos precisam! Toda família tem problemas, amizades e amores também. Nunca ache que a sua dor é a maior do mundo, pois sempre tem alguém que só precisa de um abraço e a frase: “eu estou aqui!”.

Levei o que conheci na casa para minha vida pessoal e profissional. Na virada desse ano, meu coração me chamou de novo. Só que dessa vez, eu queria mais. Daí, conheci pela TV a ONG Viva e Deixe Viver, que treina contadores de histórias para hospitais. Eu me encontrei, pois entendi que o trabalho voluntário não é só doação, mas sim uma troca! Hoje, eu fui à minha primeira palestra! Na volta, passei na locadora e aluguei dois filmes, um deles com o título “Uma prova de amor”. Mais uma vez, o cinema me fez lembrar porque escolhi esse caminho. (EU FAÇO AQUI MINHA SUGESTÃO, ASSISTAM!)

A trama mostra a história de uma família, que vive a dificuldades do câncer infantil. Mas ao contrário do que devem estar pensando, o filme não fala sobre o lado ruim da dor, mas do lado bom. Mostra como as dificuldades diante de uma situação delicada fazem com que as pessoas cometam erros, abdiquem de si e dos outros, se unam e cresçam. O impressionante é que quem mais sente a dor física e da alma, se revela o mais maduro, compreensivo e solidário.

Eu vi isso na pele quando estive na Casa Ronald, pois uma criança com câncer ainda é uma criança. Ela quer brincar, correr, dizer não, aceitar e lutar. Ela é corajosa, sabe o que está acontecendo e mostra a força de um gigante. A maturidade, normalmente, vem dessa dor.

Lidar com perdas não é fácil para ninguém, viver com escolhas do homem e de Deus, pode parecer um fardo. Mas a vida é assim. Depende de cada um descobrir e escolher como quer viver a vida e enfrentar as dificuldades.

O que posso dizer é que eu descobri... Descobri que o amor é contagioso, descobri que a dor existe para nos fazer olhar o lado bom da vida e valorizar cada segundo. Ela serve para que a gente cresça e continue acreditando diante de sorrisos e lágrimas. A dor amadurece.

Hoje, eu dei mais um passo em uma nova fase da minha vida, em uma nova escolha. Em agosto, eu serei uma contadora de história, ainda não sei em que hospital. Só sei que sigo meu caminho e que na verdade não estarei só doando minha voz, meu tempo e coração. Estarei recebendo amor, conhecimento, aprendizado. Estarei crescendo...

Vou viver isso, não sei se para sempre ou por um ano, só sei que vou continuar enquanto meu coração gritar... Um dia, eu estarei de volta na Casa Ronald, hoje, vou além nessa trajetória, nessa experiência que é viver. Não precisa ir muito longe para ajudar, basta olhar para o lado, lá terá sempre alguém que precisa do seu sorriso!

Aproveito para agradecer a todas as lições que aprendi convivendo com as pessoas que compartilham o mesmo amor que eu pela Casa Ronald e sua missão!
BEIJO E ME BLOGA!

Abaixo deixo uma lista de filmes que valeram à pena:



Patch Adams – O amor é contagioso








Amor além da vida









Um Ato de Coragem









Doutores da Alegria








Juntos pela Vida







2 semanas

CONSIDERAÇÃO

sexta-feira, 26 de março de 2010

Por Hortênsia Ferreira

Seria fácil em nossa conduta educativa, afirmar que grande parte das pessoas tem a consideração em mente. Esperamos a mesma consideração sempre, está embutido em nossos pensamos, achar que o outro age igual. Ilusão imaginária, criada a partir de nossa conduta e conceitos. A consideração seria fazer pelo outro, o que faríamos por nós mesmos. Não uma troca, por pura educação. Nós sempre nos frustramos ao ver uma falta de consideração da outra parte.

Não deveríamos esperar tanto do outro, afinal, os nossos pensamentos, atitudes e maneira de ver as coisas, nunca serão adivinhadas por ninguém. Criar modelos de atitudes, não é saber o que aquela pessoa pensa e como ela irá agir. Os assuntos na vida são tratados de formas diferentes, não espere que as pessoas sejam parecidas com você. Cada um capta as mensagens de sua maneira, através de códigos, siglas e memória. Elas não irão lembrar porque você defende tais valores, e sim irão agir da forma que vivenciam a vida. Ter consideração por alguém significa que você reconhece no outro a virtude, o esforço, a dedicação; e visualiza um retorno, que se faz desnecessário.


Quem tem consideração por você nem sempre é quem você espera ter. Mas pode ser que agora, quem te surpreenda passe a ter a sua consideração gratuitamente. Não forçamos nossas vontades, elas são involuntárias no dia a dia. Afirmo que a vida não é tão complicada, se não esperarmos nada de ninguém. Expectativas são como uma consideração, a gente sempre imagina uma forma favorável.

E o mais fascinante, ao escrever esse texto é perceber que por mais desgastados que estejam nossos valores hoje, ainda nos preocupamos com isso. Afinal, um grande espaço em nossa mente trabalha para distinguir quem se considera e quem lhe considera. Muitas vezes classificamos, fulano é meu melhor amigo. Erro e engano, porque todos nossos amigos nos doam o melhor sempre. Então ter um melhor amigo, é pura burrice, considere todos, como os melhores.

E não esqueça, mesmo nas situações mais adversas, não deixe de considerar as pessoas. Pense como seria com você e como gostaria de receber uma consideração. Nossos valores não podem ser mudados, pelo desgaste, mágoas e rancor. Caminhamos pela evolução na vida humana e não podemos regredir por falta de consideração.



Dedique-se e reaprenda: A CONSIDERAÇÃO

“Saiba que os caminhos de grande sucesso são àqueles que valem pelas pessoas” – autor desconhecido.



Pensando sobre a vida, a correria de nossos dias, percebo que os valores estão mudando. Nosso tempo exige muita atenção, nos resta pouco para aquelas coisas que no fundo nos emocionam e importam. Achei um vídeo da música Roda, da cantora e compositora Céu, que fala bem sobre isso. Confira abaixo!

BEIJO E ME BLOGA!



PUBLICIDADE CRIATIVA É TUDO

terça-feira, 16 de março de 2010

Por Mariana Malta

Estava navegando na rede e visitando alguns outros blogueiros por aí... Percebi uma postagem muito boa, que me chamou atenção, pois eu adoro publicidade bem feita, criativa e positiva!

No blog Procurando Vagas foi publicado um vídeo produzido pela Sussex Safer Roads, para incentivar o uso do cinto de segurança. Achei emocionante e achei que merecia propagar essa idéia! Criatividade bem aplicada, planta idéias e faz brotar sementes!

ÁGUAS DE MARÇO: O BOM HUMOR É A ALMA CARIOCA

Por Mariana Malta

Ai Ai... Viver na Cidade Maravilhosa, só mesmo para os fortes! Enquanto eu assisto no Jornal Nacional a beleza de um grupo de golfinhos, que visitou a orla do Leblon nessa tarde, vivo um tiroteio diário: fogo cruzado na política, no meio ambiente, na violência, na falta de educação e na pouca vergonha. Minha nada mole vida URBANA!

Mas quando pensei que o mundo estava perdido, percebi a leveza e o bom humor da alma carioca. É isso que faz, todos os dias, esse povo se levantar as 04h da manhã, superar as perdas, reerguer casas, famílias, trabalhar a solidariedade e a cidadania, e sempre com um sorriso no rosto.
Apesar do massacre que o Rio de Janeiro tem sofrido com as chuvas dos últimos tempos, as enchentes e os raios assustadores, o carioca ainda leva na esportiva. Um vídeo que está rolando na rede transformou uma clássica cena de caos na cidade, em uma divertida forma de chamar atenção para o problema. O lado cômico de um surfista da Gávea aflorou durante a enchente da semana passada e ganhou o mundo através da rede. Ele provou a força de espírito do velho ditado: FAÇA DA JACA SUA PANTUFA! (Tudo bem... Esse ditado não é antigo! Rs... É uma adaptação da modernidade!)


Confira abaixo esse momento! O video foi produzido pela Mellin Videos, que faz parte do Grupo Sal, que reúne jovens empresas de comunicação e desenvolvem projetos bem interessantes.









Baixo Gávea Debaixo D'água from Mellin Videos on Vimeo


É claro que a questão é séria e precisa de uma mobilização do poder público, das empresas prestadoras de serviço e da sociedade, que poderia trabalhar mais a cidadania e a educação. Mas rir da própria desgraça às vezes faz bem e ajuda a reagir com otimismo e coragem!


Outra questão importante dessa semana é o bafafa em torno da perda dos royalties do Petróleo no Rio de Janeiro. Desculpem a sinceridade nas palavras: Jogaram merda no ventilador e agora começou o jogo de empurra na politicagem. E QUEM vai pagar a conta?


  1. O RIO

  2. A UNIÃO

  3. NINGUÉM

  4. O POVO

Marque seu X! Não preciso nem dizer que de alguma forma, mesmo que indiretamente, no fim das contas dessa polêmica, serão os cariocas prejudicados! Nosso governador está tentando reunir forças para lutar a favor do Rio, não sei se ele está agindo da melhor maneira, mas pelo menos está tentando.

Algumas pessoas criticam a manifestação em defesa do Rio que está sendo organizada para amanhã, dia 17/03, às 16h, no Centro. Talvez não seja assim que a questão vai ser resolvida, mas eu aprovei a ação dessa manifestação, pois de uma forma festiva, carioca e em paz, o governo convida o cidadão a participar, a se interessar, a pensar e conhecer um assunto que vai interferir na vida da nossa cidade.

Dizem que o carioca não gosta de trabalhar, que quer vida mole, que só pensa em futebol, mulher e Carnaval. O que os críticos não entendem é que a alma carioca vive com alegria, trabalha com alegria, sofre com alegria, luta por justiça com alegria, se ajuda com alegria, ou seja, é feliz!

Porque não correr na orla após o trabalho, pegar onda no fim de tarde, tomar um chopp com os amigos, não dispensar uma boa roda de samba... Na vida precisa-se de equilíbrio e é por isso que apesar do caos e das dificuldades, o carioca ainda sabe levar uma vida boa e tenta se jogar à felicidade...

Fachada do Teatro Municipal que vestiu a campanha e será um dos pontos do circuito da manifestação. / Foto: Carlo Wrede - Agência O Dia


Por isso, nosso governador chora, se emociona e lamenta esse momento difícil que está enfrentando na defesa dos interesses do nosso estado. Olha que não votei nele e nem quero fazer apelos políticos aqui, pois não cabe! Mas reconheço que ele está envolvido com a causa e talvez seja uma oportunidade do povo se envolver também, mesmo que de uma forma bem humorada!

Quem sabe ações assim sirvam como uma injeção nas novas gerações para uma preocupação com o que acontece na sociedade, uma lição para o resgate daquele espírito guerreiro de tantos militantes que fizeram a história do nosso país. Não interessa que alguns estarão lá pela bagunça, outros pela causa, outros pelos shows... O que importa é que estarão lá e de alguma forma (Bem Humorada) uma semente será plantada em cada um!

Como essa história ainda dará muito pano pra manga, vou me abster em incentivar as pessoas a participar desse momento! Pode não trazer grandes resultados, mas às vezes, vale a pena estar presente... Muitas guerras são vencidas pela energia de um povo, e isso, o Rio tem de sobra!

A ARMADURA

quinta-feira, 11 de março de 2010

Por Mariana Malta
Quando eu era pequena, minha mãe, que é psicóloga em um hospital público no Rio de Janeiro, sempre chegava do trabalho com panfletos educativos sobre sexo, DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e formas de prevenção a doenças e gravidez. Como eu devia ter uns 10 ou 11 anos, acabava ficando mais concentrada aos desenhos ilustrativos do que ao texto informativo. Mas essa intenção de educar da minha mãe permitiu que eu criasse uma consciência sobre o assunto quando comecei a entendê-lo.
Sempre andei com camisinha na bolsa e tive muita atitude em impor seu uso, mas com o tempo você começa a namorar, confia em alguém e passa a esquecê-la por um tempo.
É claro, que no meio do caminho dei minhas vaciladas, e quem não deu? Mas nunca paguei um preço tão alto por isso, por outro lado, conheço pessoas que interromperam uma gravidez, ou foram pais prematuramente, ou ainda, ficaram doentes.
As pessoas acham que é só a AIDS é perigosa, quando na verdade existem inúmeras doenças que podem abalar a saúde através das relações sexuais. Mas deixando 0 papo careta de lado e aproveitando o clima de carnaval que ainda está no ar nesse varão de 40 graus, fiquei pensando em uma campanha publicitária que assisti durante esse período.
Achei os comerciais de muito bom gosto, com uma incrível criatividade, inovadores e divertidos. Quem ainda não viu acesse http://www.usesempre.com.br/.
Com bastante humor, o sexo ou amor são tratados de forma clara, sem preconceitos e com uma só consciência: proteja-se para ser feliz e curtir a vida! Ser responsável não é careta; e na boa, quando se tem tesão naquilo que se faz, não é uma camisinha que atrapalha o prazer! Isso é lenda!
Tenho um amigo, que sempre brincou que Aids, macumba e bala perdida só pega em quem acredita; pode até parecer uma piada engraçada na mesa de um bar, mas está longe disso. Outro dia, assistindo o BBB, ouvi os participantes dizerem que homem heterossexual não pega o vírus HIV, apenas mulheres e homossexuais. Essa foi uma das maiores besteiras que já ouvi, mas prova como informações erradas são levadas ao vento, já ouviram falar que quem conta um conto, aumenta um ponto!?!
Na ocasião, a própria produção do programa divulgou que aquelas opiniões eram equivocadas e deu como fonte de informação segura o endereço http://www.aids.org.br/para esclarecer dúvidas sobre o assunto. Eu visitei e li mais sobre o assunto, descobri coisas novas e interessantes. Faça o mesmo!
Infelizmente, vivemos uma sociedade que ainda sustenta pilares instáveis, em que doenças são proliferadas, pois o impulso, as aparências e o preconceito ainda ditam algumas questões das conquistas humanas.
Durante o carnaval, entre um bloco e uma festa de eletrônico, tive a oportunidade de conversar com minhas amigas. Num calor escaldante, estávamos tomando uma cerveja na beira da piscina, daí surgiu um papo sobre sexo. Clássico, né!
Considero nosso grupo de garotas conscientes, com valores e educação, que amam, transam, se divertem e sonham. Somos mulheres! Também sentimos desejos e vontades como os homens. Já tivemos relacionamentos estáveis e duradouros, mas também já nos iludimos com paixões passageiras.
Ao longo da conversa surgiu a questão da camisinha, pois todas já ouvimos aqueles papos batidos e furados, que levam ao esquecimento da proteção:
"Só faço isso com você!"
"Poxa esqueci a camisinha! Você toma pílula né?!?!"
"Me deixa colocar só um pouquinho, depois eu coloco a camisinha."
"Poxa, mas a gente se conhece há tanto tempo."
E por aí vai...
Só que quando se pensa sobre a exposição que sofremos ao transar sem camisinha com uma só pessoa, podemos ver que os cálculos podem ser mais perigosos do que imaginamos! E a cabeça pode surtar em dúvidas!
Você se considera especial, a princesinha do seu parceiro, ou vice-versa, o príncipe que julga sua parceira uma princesa, pura como nos contos de fadas. Por mais que ambos tenham posturas exemplares de relacionamento, são fiéis e leais; todas as pessoas têm um passado, que envolvem terceiros. E essas pessoas? Será que elas tinham essa postura, será que se cuidavam?
É difícil pensar nisso, colocar sua saúde na mão de outras pessoas? Bom, não quero fazer aqui um discurso de conduta ideal, sei que em algum momento, a maioria das pessoas dá uma escapadinha. Mas deixo aqui minha dica, que adoto há um tempo, mas mesmo assim não me livra de um possível risco:
"Se você for solteira (o) e tem mais de um (a) parceiro (a), use camisinha, se preserve, faça isso por você. Fica difícil controlar a vida sexual de todo mundo e nem sempre vale a pena ser impulsiva (o) pelo prazer de uma transa casual."

"Se namora ou mantém uma relação estável em que confia no seu parceiro (a), avalie se de fato é necessário tirar a camisinha da relação. Afinal, que mal ela faz? Mas no caso de abrir mão da proteção, faça exames, TODOS os exames, antes de tomar essa decisão. Compartilhem essa informação e sejam companheiros nesses momentos. Falar sobre saúde e sexo ajuda até mesmo na hora de experimentar novas situações amorosas, só que com mais segurança para ousar."

O importante é ser feliz e cuidar da saúde para viver o máximo que puder. O sexo é manifestação do amor, do prazer, da carência, da curiosidade... Não importa o que motive sua relação, importa que ela seja saudável para fazer bem ao corpo, a mente e a alma!
Preconceitos só afastam as pessoas seja em relação ao sexo, ao uso da camisinha, a opção sexual, a doenças, a liberdade e a valores. Todas as opiniões merecem ser respeitadas e cada pessoa tem seu espaço. Todos têm direito de amar, mas antes de tudo, ame a si mesmo! Cuide-se!

ALEGRIA: A MÃE, A FILHA E A PORTA-BANDEIRA

Por Mariana Malta
Quem foi criado ao som das baterias das escolas de samba, sabe que o carnaval é um período não só de folia e arruaças pelas esquinas da cidade, mas uma oportunidade da magia e o espetáculo contagiarem os corações brasileiros. E não só brasileiros... Quantos gringos se encantam todos os anos com a nossa festa?

Neste último carnaval, Madonna e Beyonce se renderam ao povo e aos encantos da cidade maravilhosa. Elas declararam publicamente o amor ao Rio e que estarão presentes nos próximos carnavais. Mas tudo isso só acontece porque existem pessoas comuns, reais, que vivem a realidade das comunidades todos os dias, e fazem a diferença na construção do carnaval.

Pessoas como a Dona Djair, que me criou como filha e é mãe de uma das maiores porta-bandeiras do Rio de Janeiro. Giovanna Justo cresceu na Mangueira e teve grandes alegrias na comunidade, onde criou seu filho e sempre brilhou na responsabilidade de defender a bandeira da escola.
Giovanna e Marquinho desfilaram pela Mangueira desde pequenos.
Aprendi a amar a Mangueira como ao meu time de futebol, pois dali eu ouvi histórias, não só sobre Cartola e outros grandes nomes da cultura brasileira, dali eu ouvi histórias da Dona Djair, da amiga Caçula, da Dona Lucíola, dos filhos e netos, além de tantas outras.

Como moro na Tijuca, além da Mangueira, meu coração sempre bateu também por escolas de comunidades vizinhas, como Salgueiro, Vila Isabel e Unidos da Tijuca. Sempre acompanhei ensaios de rua e nas quadras, e o coração teve espaço para todas elas. Nesse ano, a Giovanna e seu mestre-sala Marquinho passaram a sair na Unidos da Tijuca.

Encarte sobre os Sambas e os nomes dos representantes da escola. / Foto: Mari Malta
No início, vi Dona Djair preocupada em seus setenta e poucos anos, afinal, por toda uma vida sua filha defendeu a verde e rosa. Mas eu sabia que a estrela dela ia brilhar, pois a beleza, a entrega e a paixão pelo carnaval sempre fizeram da Giovanna uma grande porta-bandeira.

Estava em Búzios-Rj quando tive a notícia que a Unidos da Tijuca tinha sido a campeã do carnaval 2010. Fiquei tão feliz, que minha emoção não cabia no peito. Só pensei na felicidade da Dona Djair e da Giovanna. Imaginei como seria o desfile das campeãs e que ela, Tia Djair, estaria lá, ao lado da filha, durante todo o percurso da avenida.
Giovanna e Marquinho já na Unidos da Tijuca.

Quando cheguei ao Rio, no sábado, dia 20, uma amiga me convidou para ir ao Sambódromo. Sabia que viveria um dos momentos mais felizes da minha vida. Para chegar próximo da Giovanna durante o desfile e tentar ver a dona Djair, tive que encarar uma maratona de desenrolo... Comecei com as meninas que estavam na portaria de entrada das cadeiras e frisas, depois fui tentar convecer um grupo de amigas, que tinham uma frisa na beira da avenida, a permitir que eu ficasse ali com elas durante a passagem da porta-bandeira. Acabou que uma delas se comoveu com a minha história, e além de deixar eu ficar, também ficou de fotógrafa para mim! Dali, soltei em uma só voz: "GIOVANNAAAAAA!!!"

E ela me ouviu, olhou, sorriu com aqueles dentes brancos, e veio até a mim com a bandeira amarela e azul. Eu beijei! Naquele momento pensava: "Brilha Garota!" (Como quem diz a uma irmã). Ela saiu, olhou e bateu a mão no peito!

Já invadida por um emoção inexplicável, meu olhar buscou uma pele negra e uma cabeça branca do outro lado da avenida. Achei! E ela também! Nossos olhares se cruzaram, e com os meus cheios de Lágrimas, acenei para a Tia Djair.

Pode parecer besteira, mas o carnaval nos toma de assalto com emoções de explosão. Não importa a cor da bandeira, e se você torce para uma ou mais escolas; na união desse espetáculo todos são vencedores.
Quando se vive de perto todo o trabalho e a dedicação na realização dessa festa, o carnaval perde a cena para seus atores; cada rosto e sorriso, que preenche a avenida de alegria e paixão!

Viva o Carnaval!